Carta da Cia aos Parlamentares sobre o livro “A Estratégia”

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Carta da Cia Revolucionária do Triângulo Rosa enviada a todo(a)s o(a)s parlamentares do Congresso Nacional:

Senhores e Senhoras Parlamentares,

Em 1897, apareceu na Rússia um documento intitulado “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, de autoria da polícia secreta do Czar Nicolau II. O documento, falso, acusava os judeus de armarem uma conspiração para ter o domínio mundial. Mais tarde, o documento foi instrumentalizado por Hitler para justificar o extermínio de judeus. Como é possível perceber, um documento falso utilizado para reforçar posições políticas pode ter uma utilização ainda mais espúria: justificar genocídios.

Pois, surpresos, soubemos que cada parlamentar recebeu um exemplar do falacioso livro “A Estratégia – O Plano dos homossexuais para transformar a sociedade”, do Pastor Louis Sheldon, aonde se forja uma suposta conspiração homossexual para o domínio do mundo. Ou como disse outro senador, montar um “império homossexual”. Continuar lendo

Carta de apresentação da Cia. Revolucionária Triângulo Rosa

A Cia. Revolucionária Triângulo Rosa é um coletivo de pessoas que:

- apostam mas são críticas à morosidade do avanço das políticas públicas;
– são imediatistas e acreditam que a negociação e o consenso nem sempre são medidas razoáveis;
– respeitam mas não conseguem se ver representados na sigla e pelo movimento LGBT;
– que sentem na pele a opressão relacionada à sua vida sexual ou à sua apresentação social da feminilidade e/ou masculinidade;

E ainda, um coletivo de seres humanos cujos interesses convergem par

a)    Uma sociedade mais justa, solidária e igualitária
b)    Politização da comunidade sexodiversa
c)    Retomada do protagonismo de movimentos auto-organizados pela luta dos direitos civis
d)    Superação dos rótulos (homo, bi, trans, hetero) e valorização de apenas um: ser humano
e)    Direito à livre expressão e afirmação da sexualidade
f)     Formação de cidadãos sexodiversos
g)    Uma sociedade menos machista e/ou heteronormativa
h)    A defesa da laicidade do Estado Brasileiro
i)     Respeito pelas diferenças
j)     Defesa dos Direitos Humanos
k)    Criação de receptividade para os sexodiversos
l)     Combate aos falsos moralismos e hipocrisia
m)   Reconhecimento das unidades familiares não patriarcais
n)    Igualdade jurídica independente de sexo, gênero ou orientação sexual
o)    Implementação de instrumentos jurídicos e educativos de combate a homofobia
p)    Apoio a outras causas sociais não relacionadas aos temas sexodiversos.

Por que nos juntamos?

Após o reconhecimento da união civil entre pessoas do mesmo gênero pelo STF, os conservadores recrudesceram os discursos homofóbicos e transfóbicos, articulando-se para impedir que a população brasileira de sexodiversos [lésbicas, gays, bissexuais, travestis,transexuais ou quaisquer outros que não encontram-se sob o manto da heteronormatividade] obtenha outras importantes conquistas, como, por exemplo, a aprovação do PLC 122/06 e, no Rio de Janeiro, da PEC 23/07.

Os conservadores, sobretudo as lideranças evangélicas fundamentalistas, lutarão com todo seu poder político, econômico e midiático, manipulando informações, com o objetivo de suprimir os direitos conquistados e interditar novas vitórias. Para fazer frente à reação conservadora, é imperativo que a população comprometida com a construção de uma sociedade livre, igualitária e justa – expanda e intensifique sua articulação política, radicalizando seu discurso e se tornando ainda mais visível.

Portanto, no atual cenário social e político, torna-se de suma importância a participação nas paradas LGBTs, de forma a convertê-las em EVENTOS POLÍTICOS REVOLUCIONÁRIOS.

O momento é de luta política: de articulação, diálogo e confrontação. O horizonte que se apresenta é um tempo de duros confrontos no cotidiano, na mídia e nos tribunais, para que as pessoas de sexualidade diversa da heteronormativa não sejam respeitadas apenas como “pink market”, conquistando sua plena cidadania.

A nossa missão, ainda que utópica, é a REVOLUÇÃO, e nós acreditamos que a revolução é SEXUAL. Não tomamos nossos sexos ou práticas sexuais como marcadores de significação para as pessoas que somos. SOMOS O QUE REALIZAMOS e esperamos realizar o IMPOSSÍVEL.